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O Relógio do Juízo Final e o que diz sobre o fim do mundo

“Doomsday Clock” funciona há quase 80 anos e tenta calcular quão perto a humanidade está do apocalipse

Juízo Final
O Relógio do Juízo Final e o que diz sobre o fim do mundo

Saiba o que é o Relógio do Juízo Final e o que diz sobre o fim do mundo. “Doomsday Clock” funciona há quase 80 anos e tenta calcular quão perto a humanidade está do apocalipse.


O Boletim dos Cientistas Atômicos, com sede nos Estados Unidos, anunciou nesta terça-feira (27) o ajuste no Relógio do Juízo Final, indicando o quanto que acontecimentos mundiais aumentam a probabilidade de uma catástrofe.


O Relógio do Juízo Final, também conhecido como "Doomsday Clock", funciona há quase 80 anos. Mas esse não é um relógio qualquer: ele tenta avaliar o quão perto a humanidade está de destruir o mundo.


Em 2026, o relógio foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite -- o ponto teórico da aniquilação --, o mais perto que ele já esteve do limite.


O relógio não foi projetado para medir categoricamente as ameaças existenciais, mas para iniciar conversas sobre temas científicos difíceis, como as mudanças climáticas, segundo o Boletim, que criou o relógio em 1947.


O que é o Relógio do Juízo Final?


O Boletim dos Cientistas Atômicos é um grupo de cientistas atômicos que incluiu especialistas que trabalharam no Projeto Manhattan, o codinome para o desenvolvimento da bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial.


Originalmente, o relógio pretendia medir ameaças nucleares, mas, em 2007, o Boletim decidiu incluir as mudanças climáticas em seus cálculos.


Em quase 80 anos, o tempo no relógio mudou, dependendo de quão perto os cientistas acreditam que a raça humana está da destruição total. Em alguns anos o tempo muda, e outros, não.


O Relógio do Juízo Final é definido a cada ano por especialistas do Conselho de Ciência e Segurança do Boletim em consulta com seu Conselho de Patrocinadores, que inclui 11 ganhadores do Prêmio Nobel.


O que acontece se o relógio chegar à meia-noite?


O relógio nunca chegou a bater meia-noite, e Rachel Bronson, especialista em segurança internacional e ex-presidente do Boletim, espera que isso nunca aconteça.


"Quando o relógio bate meia-noite, significa que ocorreu algum tipo de troca nuclear ou mudança climática catastrófica que acabou com a humanidade. Portanto, não queremos chegar lá e não saberemos quando chegaremos", destacou.


Quão preciso é o relógio?


O horário do relógio não pretende medir ameaças, mas sim estimular conversas e promover o engajamento público em questões científicas, como mudança climática e desarmamento nuclear. Se o relógio for capaz de fazer isso, Bronson já o considera um sucesso.


Quando um novo horário é definido no relógio, as pessoas ouvem, disse ele. Em 2021, durante as negociações climáticas da COP26, em Glasgow, o então primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, citou o Relógio do Juízo Final ao discutir a crise climática que o mundo enfrenta, observou Bronson.


A ex-presidente do Boletim pontuou que espera que as pessoas discutam se concordam com sua decisão e tenham conversas frutíferas sobre quais são as forças motrizes da mudança.


O que é possível fazer para voltar o tempo no relógio?


Ainda é possível fazer retroceder o relógio com ações ousadas e concretas. Na verdade, os ponteiros se afastaram antes da meia-noite, chegando a 17 minutos antes da meia-noite em 1991, quando o governo do presidente George H.W. Bush assinou o Tratado de Redução de Armas Estratégicas com a União Soviética.


Em 2016, o relógio marcava três minutos para a meia-noite como resultado do acordo nuclear com o Irã e do acordo climático de Paris.


Assim, Bronson ressaltou que não podemos subestimar o poder de discutir as questões importantes. "Você pode não sentir porque não está fazendo nada, mas sabemos que o engajamento público move [um] líder a fazer coisas", ressaltou.


Especialista questiona Relógio do Juízo Final


Embora o relógio tenha sido um alerta eficaz para lembrar as pessoas das crises que o planeta enfrenta, alguns questionaram sua utilidade.


Lawrence Krauss, um ex-integrante do Conselho de Patrocinadores do Boletim, afirmou que tem sido difícil levar os resultados a sério, já que nas últimas décadas ele chegou perigosamente perto do fim da civilização.


Como físico teórico, Krauss tem se preocupado com a forma como o relógio é avaliado e determinado hoje. Todos os anos, segundo ponderou, quando o relógio se aproxima da meia-noite de forma alarmante, os cientistas precisam medir quanto "espaço" disponível resta antes de decidir quanto mais o relógio deve se mover.


"Agora o relógio se move em segundos, antes eram minutos", argumentou Krauss à CNN.


"É claro que não é uma avaliação científica quantitativa, mas qualitativa. O que sempre foi importante é o movimento do relógio, não seu valor absoluto", concluiu.

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